
"Estou-me a borrifar para o calhau. Quando tinha uma oficina junto ao tronco, até servia para endireitar peças. Depois ficou ali para o canto e eu já nem reparava se lá estava ou não", refere. "Uma vez fui contactado pela Câmara para o classificarem, mas eu disse logo para o levarem para um sítio bonito, em vez de estar aqui ao abandono", diz, acrescentando algumas queixas. Só me dava trabalho: pelo Verão, quando estava eu aqui sossegado, entravam turistas por aí a dentro, sem dizer nada", acrescenta. Já sobre negociações com a autarquia, é peremptório: "De família, não temos nada. É melhor chamar-nos herdeiros. E não sei se houve conversas". O tronco está abrangido pela classificação da UNESCO para o Geopark Naturtejo e uma outra classificação municipal estava em curso "para pressionar os herdeiros. Mas a família não se entendeu para podermos pegar nele", queixa-se Maria do Carmo Sequeira.
O tronco fóssil é um dos 16 mais importantes geomonumentos do Geopark Naturtejo. Foi outrora uma anoneira com 20 metros de altura, árvore que só existe actualmente em latitudes tropicais. O pedaço que desapareceu da Herdade da Coutada "era o mais importante fragmento de sete encontrados até ao momento", garante a Naturtejo. Era usado durante visitas para ilustrar as alterações climáticas no planeta.
Fonte: Lusa.
(O tronco)
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