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sexta-feira, 13 de novembro de 2009

1976. DIÁRIO (54)

Uma despedida é uma célula nova que parte e uma célula nova que chega. Digamos que a coisa pode ser vista também assim e não só à luz da biologia da D. Clara Pinto Correia. E se à volta da célula vai um ser humano a embrulhá-la, então isso é vida nova a sair e vida nova a entrar. É um ciclo vital em movimento. Boa sorte a quem tive o privilégio de passar a dever coisas importantes da minha vida, muito boa sorte! Moçambique ou qualquer outro palmo de planeta ficará a ganhar muito com vocês. Sortudos, pá!

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

1968. DIÁRIO (53)


A vida, nós, nós, precisamos de heróis. De uma transcendencia que nos mostre que não é apenas uma sucessão deprimente de normalidades anónimas sem significado normal da mecânica do tempo, que os relojoeiros inventaram para nos enganar. De um radicalismo que rompa com o banal do dia e da noite e da tarde e de todos os dias. Devíamos agradecer todos os dias aos heróis que conseguem fazer com que mudemos de conversa e passemos apenas a falar deles. Obrigado pela coragem Robert.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

1926. DIÁRIO (51)

Só aparentemente Portugal vive um período de acalmia. O futebol, o Queiroz, o Bento, o Jesus, o Jesualdo, o Cristiano, o inenarrável Madail, têm ajudado um bocado à festa, as sucessivas e cansativas eleições passadas adormeceram-nos de cansaço de discursos, photomatons e painéis de propaganda caros e feios, o frio está de volta, o Natal vem chegando devagarinho e, entalado entre uma crise que NÃO PASSOU, IRRA! e a esquizofrenia viral, hdfry567vekfuiuggnb, as televisões estão um bocadinho abandonadas à sua sorte, o que, aqui para nós que ninguém nos lê, até merecem, dadas as imitações rascas que fazem umas das outras. Este blogue para mim é antes de mais um exercício de liberdade resumido numas parcas palavras: quando me apetece, o que apetece. Apenas. Vários assuntos têm aqui passado sem o devido e fundamentado comentário, apesar de o merecerem. Porque, lá está, não me tem apetecido. Não o levem, caros leitores, rogo-vos, à laia de falta de respeito, que definitivamente não o é. Os leitores são quem mais respeito depois da minha liberdade. É apenas esse pequeno detalhe da inviolável liberdade. E só haverá Nabantia enquanto eu sentir que pode ser assim. Confesso que me assustei quando reparei que tinha 11 seguidores! Ui, onze seguidores, uma responsabilidade. Passado o primeiro embate, descobri que há quem esteja bem pior: o António Rebelo já vai para aí em 22. Um susto. Porque, digam lá o que disserem, ter seguidores muda tudo, nem que seja no subconsciente. Não é a mesma coisa ter a ilusão de que escrevemos só para nós e ter a certeza de que afinal escrevemos para uma multidão (critério: um a mais que eu já o é...). E eu quero preservar a liberdade, se é que me faço entender, de fazer de conta, ao menos isso, de que quando escrevo o faço sem a limitação de saber que há quem esteja à espera que não seja de, se entender que o mereço, disfrutar, pensar (presunção minha...), reflectir, no fundo para perceber melhor o sentido dos ponteiros do relógio do tempo inexaurível. Não sei se alguém reparou mas esta semana fiz um post sobre uma pessoa que nunca tinha visto na minha vida a não ser num relance de domingo e que me ficou marcada cá dentro por impressiva marca: o Sr. Custódio. Estou numa fase da minha vida que me interessam mais as pessoas e o seu intrínseco mistério, do que as frivolidades corvelianas, relvianas, vitorianas, marquianas, cristivianas, mundanas, superficiais, irrelevantes. Estes posts são efectivamente muito importantes e alarmantes. Mas sejamos francos: alguém se espanta? Alguém se surpreende? Alguém se interessa para além da factura mensal do SMAS, das cinco garrafas do Hugo ou das quatro malucas nuas que o Hugo pôs de molho no jaccuzzi (ah, gloriosos socialistas convertidos às mordomias das delícias burguesas...), para celebrar as lautas iguarias dos pequeninos poderes de campanário? Claro que não! E assim, fico eu, cá com a minha liberdade, porto seguro, esse sim, para sempre até haver sempre.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

1917. DIÁRIO (50)

Amar as pequenas coisas da vida é a melhor maneira de sentir a importância das grandes. Saber a vida do Sr. Zibério, que se desamou de uma Lola do do Chiado desde que descobriu a alva Maria das Angústias da Junceira, ou que a venda da Ti Rosa foi trespassada de barbearia para o Zé das Patilhas, que mandou lá de Lisboa o patrão às malvas por lhe ter tirado o produto das gorjetas, é a melhor maneira de perceber que quando o Sol nasceu outra vez, imparável, imponente, totalitário, sobre nó, tudo mais cessa. Tudo. E que o que resta é sorrir enormemente para a vida. E hoje, vai ser dia de Sol, oh se vai, mesmo que a moda dos irritantes alertas cromáticos substituam as notícias de política nos noticiários das rádios e das televisões.

sábado, 10 de outubro de 2009

1837. DIÁRIO (48)

Auto-citação: "no dia mais estúpido do calendário eleitoral português, o chamado dia de reflexão, como se houvesse dias marcados para reflectir (conheço alguma gente que nem com dia marcado é capaz de reflectir, enfim...)..."

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

1828. DIÁRIO (47)

Há muitas perspectivas do mundo que nos cerca que nos escapam completamente no dia-a-dia. São os tais mundos paralelos que por vezes nem nos damos conta que existem.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

1832. DIÁRIO (46)

Uma noite dura. Porém, a solidão do silêncio teve a companhia da ira dos deuses. Eu e o temporal conversámos longamente sobre a vida. A chuva normalmente discordava das minhas observações. Já o vento, os relampagos e a trovoada entendiam melhor o que fui dizendo até que adormeci misteriosamente.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

1783. DIÁRIO (45)

Troveja nos céus. Depois dos resultados de ontem das eleições, espero que não passe de um sinal meteorológico.

sábado, 26 de setembro de 2009

1774. DIÁRIO (44)

No dia mais estúpido do calendário eleitoral português, o chamado dia de reflexão, como se houvesse dias marcados para reflectir (conheço alguma gente que nem com dia marcado é capaz de reflectir, enfim...), corrida de urgência a Lisboa. Rompendo o Sol pela auto-estrada fora. E cosendo o rasgão logo de seguida. A presença de magotes de polícias nas áreas de serviço não engana: hoje é dia de circulação de hordas de selvagens a que alguns chamam de claques, pela estrada acima e depois pela estrada abaixo. Civilizações modernas, certamente.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

1764. DIÁRIO (43)

Uma das infinitas aprendizagens que há a fazer na vida é sobre a natureza humana. E aprender a perceber e a suportar tanto as palavras como os silêncios dos outros em relação a nós. Conselho que dou de borla a todos. Nunca contem com atitudes de pessoas por antecipação. Nunca esperem nada de ninguém. Não só evitam desilusões como maçadas emocionais.

1760. DIÁRIO (42)

Depois de muitos, muitos dias sem haver diferença interior entre os dias e as noites, experimentar dormir de noite. Mas mesmo assim, acordar a tempo de ouvir o despertar do galo, o lento mas irreversível clarear do céu depois da escuridão passageira, e ver, bem longe daqui, a estrela brilhante que pontuava o céu. É a natureza a funcionar.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

1757. DIÁRIO (41)

Distancia do imediato. Olhar os montes e tentar ver para lá deles. A pequenez do lado negro dos homens, por vezes, asfixia. E há que partir em busca de novo oxigénio. Quando se perde a noção da diferença entre as horas, quando de dia pode ser noite e de noite pode ser dia, o Tempo muda e a nossa cabeça muda com o Tempo.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

1748. DIÁRIO (40)

Ver uma sucessão de paredes pela frente e ir passando uma a uma. Tudo o resto ser secundário. Não interessar se está Sol ou se está de chuva. Nem interessar o contrário. Apenas contar por vitória cada minuto a mais que se respira. Essa ser a verdadeira transcendencia.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

1733. DIÁRIO (39)

Aquela cor de azul especial que anuncia o novo dia. Uma das vantagens de não dormir é aprender as cores do céu. Quando ainda não se percebe se está Sol ou vai chover. As alvoradas podem enganar. E, todavia, há coisas perenes que a todos os enganos e a todas as ilusões resistem. As pedras, por exemplo, as pedras, que acabam por condensar as memórias todas que chegaram até aqui. O ar carinhosamente fresco das manhãs. Tudo, tudo, tudo pode mudar, até a mais imprevisível das coisas. É sempre frágil o que julgamos certo, duradouro, sólido. Só o silêncio é seguro, mesmo quando desabam os ruídos de todas as iras à nossa volta. Já me aqueci várias vezes no silêncio durante os frios do Inverno. E já me refresquei no silêncio nos calores do estio. Há sempre uma vida paralela que ninguém vê quando nos olha. É isso a solidão. Essa radical substância de nós, que ninguém consegue resolver nem iludir. É mais fácil quando se sabe.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

1723. DIÁRIO (38)

O Nabantia tirou umas folgas. Como sabe bem decansar da mediocridade mental de alguma da vida tomarense...

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

1721. DIÁRIO (37)

Dia cinzento. Dia duro, duríssimo. Corrida a Lisboa. Há que encontrar num cantinho qualquer um raio de Sol, um vislumbre de animo para o combate, um dínamo de energia.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

1712. DIÁRIO (36)

Mistério para mim é saber como sobreviviam os Templários a esta canícula, rodeados das suas vestes. À sombra das oliveiras?

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

1702. DIÁRIO (35)

Já cheira a aulas. Corrida a Lisboa para tratar do físico. Dia duro.

sábado, 5 de setembro de 2009

1695. DIÁRIO (34)

Um dia lindo. Usufruir da cidade. Olhar o recorte altaneiro das ameias. Nestes dias, a magia do tempo quase faz passar despercebido o desleixo, a sujidade, a incúria visíveis por todos os recantos de Tomar. Só mesmo o Sol para nos pôr à frente dos olhos que Tomar vale a pena, apesar de tudo e apesar de todos.

domingo, 30 de agosto de 2009

1663. DIÁRIO (33)

Depois da tourada de sexta-feira e do pôr-do-sol em S. Pedro de Muel ontem, regado com um arroz de marisco nazareno ao fim da noite, um dia em resguardo do calor sufocante, com vento soprado do deserto. Em recarregamento para mais um ano de trabalho que começa amanhã.